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Endividamento. O que a família precisa saber

O endividamento da família brasileira tem sido um tema recorrente na mídia nos últimos anos, onde frequentemente são produzidas reportagens sobre as situações de inadimplência. Cabe lembrar que o incentivo às compras, a inclusão de novas classes sociais na sociedade de consumo, a facilidade de crédito, a redução de taxas em muitos bens duráveis, a manutenção da geração de emprego e a confiança dos cidadãos na economia, provocam uma movimentação das pessoas em direção a aquisição de bens e serviços. Em princípio, os motivos acima descritos não são causa direta de inadimplência. O que preocupa é quando as famílias não são prudentes na hora do planejamento das compras, comprometendo sua renda mais do que seria possível ou recomendável. De acordo com dados coletados pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) a inadimplência do consumidor brasileiro registrou queda de 0,27% em junho de 2012, na comparação com o mesmo mês de 2011. Na avaliação do SPC Brasil, a baixa na inadimplência é um indicador de que parte das famílias está conseguindo pagar em dia suas contas. As estatísticas do SPC referem-se às vendas a prazo, considerando-se compras feitas com cheque ou no crediário. Porém, em junho também houve decréscimo nas exclusões dos registros, de 1,1% em relação ao mesmo mês de 2011, o que indica que muitos brasileiros continuam com dificuldades para pagar as dívidas vencidas que levaram a inclusão nos registros do SPC.

Um importante fator a considerar, e que tem levado ao endividamento de muitas famílias, é a tentação causada pela facilidade do uso do cartão de crédito. Ao lado do cheque especial, o cartão de crédito tem sido um “companheiro’ quase que inseparável dos brasileiros endividados. No caso do cartão de crédito, onde poucas empresas atuam no mercado, os juros altíssimos do rotativo, quando o consumidor não consegue pagar integralmente a fatura, deixando um saldo para os meses seguintes, é criado um círculo vicioso quase impossível de sair. Para exemplificar, se o cidadão não consegue pagar integralmente sua dívida no cartão, no final de 12 meses esta dívida praticamente triplica, agravando a dificuldade de pagá-la, fazendo crescer a inadimplência.

O endividamento das famílias, e que acaba gerando a inadimplência não é somente prejudicial a quem deve. O crescimento da inadimplência prejudica a expansão do crédito, pois o risco de quem concede o crédito, seja lojista ou instituição bancária, aumenta e, naturalmente, são tomadas medidas cada vez mais severas para evitar o “calote” dos devedores, restringindo-se e limitando-se a concessão de crédito.

Recentemente, uma medida incentivada pelo governo, a de reduzir os juros bancários, sinalizou também, além de menos sufoco para os cidadãos, a possibilidade de diminuição da inadimplência, pois quanto menores os juros, maiores as condições de serem honradas as dívidas. No entanto, acreditamos que uma medida simples e que pode ser exercitada por qualquer cidadão ou família, pode ajudar em muito na redução do endividamento. Trata-se de um bem elaborado orçamento doméstico, com clara descrição do quadro de receitas e despesas. Esta ação não requer planilhas eletrônicas, altamente elaboradas. Basta anotar até num papel, o que se ganha, o que é preciso desembolsar com os gastos fixos e com os gastos novos ou extras, e estabelecer as prioridades para não comprometer a renda. 

Hoje, muitas instituições, inclusive ligadas aos bancos, sem esquecer escolas, estão priorizando a divulgação e a necessidade da educação financeira. Desde a infância, é preciso incentivar o controle e planejamento financeiro, pois esta atitude impede que sonhos se transformem em pesadelos 

Roque Pellizzaro Junior, presidente da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas)

Sistema CNDL

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