31/07/2012
Cidades verdes – são alternativa a sociedades modernas
Durante o mês de junho, o mundo voltou suas atenções ao Brasil. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, reuniu alguns dos mais respeitados líderes globais, personalidades políticas e celebridades em prol do meio ambiente.
E¬sse foi o passo adiante do Brasil e do resto do mundo às promessas feitas – muitas das quais não cumpridas – 20 anos após a conferência Rio-92. Um movimento de reafirmação de bandeiras e de criação de novos paradigmas para o crescimento econômico inclusivo e sustentável a povos e ecossistemas.
O que se discutiu em 2012 não foi muito diferente do que se buscava duas décadas atrás, mas é importante dizer que foram os pequenos passos dados no passado que permitiram criar uma cultura entre os povos de reduzir o peso do seu progresso sobre o meio ambiente. Nesse processo, a discussão em torno do clorofluorcarbono, o gás CFC, talvez tenha sido o maior dos paradigmas a ser vencido.
Durante os quase 50 anos em que foi comercializado, entre 1918 e 1974, o CFC era a substância mais utilizada na refrigeração de geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e desodorantes aerosol. Foi somente em meados de 1980 que o mundo se convenceu que o gás era perigoso ao meio ambiente, após o geofísico Joe Farman demonstrar que o CFC já havia dizimado cerca de 30 milhões km2 da camada de ozônio.
O banimento oficial do gás acabou sendo a consequência natural de tal descoberta, e sua aprovação somente foi sacramentada em 1987. Ainda assim, devido ao impacto da devastação causada, a não utilização do CFC surtiu pouco efeito na recuperação da camada de ozônio. Segundo os cientistas, até 2003, a fenda mapeada era de 28,5 milhões de km2, ou todo o estado de Alagoas.
Está claro que não é um movimento rápido, porque o que se busca reverter é um quadro de séculos de pouco ou nenhum cuidado com o meio ambiente, algo que acontecia devido à crença popular de que os recursos naturais eram infinitos. Foi somente bem recentemente que a sociedade organizada passou a adotar práticas sustentáveis no seu dia a dia.
Como consequência, hoje a maior contribuição ao meio ambiente está partindo exatamente das grandes metrópoles. É o caso de Nova York, que para o escritor e jornalista David Owen é a cidade “mais verde” dos Estados Unidos.
Segundo ele, os novaiorquinos moram em espaços pequenos e têm o menor consumo de energia per capita dos EUA. Além disso, reforça Owen, as pessoas em Nova York usam prioritariamente as pernas como forma de locomoção, além de bicicletas e veículos pouco poluidores, como o metrô.
Esse parece ser um efeito comum em cidades de grande densidade populacional, que terão cada vez menos espaços per capita em uma economia em constante expansão. São Paulo e Rio e Janeiro, no Brasil, ainda engatinham nessa questão, mas é visível a disposição dessas cidades em reverter pelo menos um século de devastação ambiental e baixo investimento em políticas sustentáveis.
O modelo de alugueis de bicicletas coletivas, uma prática comum nas grandes capitais europeias, visa reduzir o tráfego rodoviário e metroviário nessas cidades, e políticas de despoluição de rios e bacias também tem como objetivo corrigir séculos de más práticas de remanejo de resíduos.
Como exemplo, gera muito otimismo a despoluição da Bacia de Guanabara, que já consumiu US$ 760,4 milhões, e cujo orçamento ainda deverá consumir outros US$ 640 milhões até 2016, e a despoluição do Rio Tietê. Este último, infelizmente, parece ser um dos maiores problemas ambientais do Brasil. Conforme estimativas de ambientalistas, a despoluição consumirá até 2020 R$ 8,1 bilhões em dinheiro público.
O valor exorbitante reascende uma outra pergunta, que ficará para as próximas gerações responderem: não seria mais barato não ter poluído?
* Roque Pellizzaro Junior – Presidente da CNDL

