21/03/2016
Na comparação anual, varejo restrito cai -10,3% em janeiro de 2016
O resultado de janeiro de 2016 do varejo restrito, registrou forte queda na comparação “mês corrente versus mesmo mês do ano anterior” e encerrou com decrescimento real de -10,3%, já descontada a inflação. Os associados do IDV já sinalizavam com antecedência de 30 dias, o forte decrescimento de vendas do varejo, quando o indicador IAV-IDV apontava para uma queda acentuada de -8,6% para janeiro na comparação anual.
Tal resultado é reflexo da deterioração dos principais indicadores econômicos, como queda do nível de emprego e renda, o encarecimento do crédito, o aumento da inflação e a queda do índice de confiança, impactando negativamente os resultados de vendas do varejo pela forte correlação entre eles.
As vendas do “varejo ampliado”, (classificação que adiciona ao varejo restrito o atacado e varejo de materiais de construção, veículos, motos, partes e peças), apontam em janeiro na comparação anual, queda ainda mais forte, com decrescimento real de -13,3%.
Desempenho Setorial do Varejo
Das dez atividades monitoradas pelo IBGE, nenhuma atividade obteve resultado positivo no mês de janeiro de 2016 na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A atividade Artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria, registrou o segundo resultado negativo de sua história, fechando em janeiro com queda de -0,2% na comparação anual, ainda mantém o resultado positivo na comparação acumulada de 12 meses, mas já sinaliza um alerta para os próximos meses.
Novamente, a atividade de Móveis e Eletrodomésticos apresentou a pior variação negativa dentre as demais atividades do varejo restrito, apontando um decrescimento de -24,3% em relação a janeiro do ano passado, muito influenciado ainda pela baixa confiança dos consumidores, queda da renda e dos desafios no cenário de crédito, que segundo o Banco Central, o setor vem sendo influenciado pelo aumento das taxas de juros das pessoas físicas, que no período de um ano passou de 32,4% para 39,2% em janeiro de 2016.
Outras atividades, que foram influenciadas negativamente, em janeiro de 2016, pelo menor poder de compra e baixa confiança dos consumidores foram hiper, super, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-5,8%), tecidos, vestuário e calçados (-13,8%), livros, jornais e papelaria (-13,3%), equipamento e material para escritório informática e comunicação (-24,0%), combustíveis e lubrificantes (-14,1%), material de construção (-18,5%), e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-12,5%).
O setor de alimentação dentro do lar sofre muito e sente a pressão do aumento da inflação que cresce acima do índice geral. A cesta de produtos deste setor, teve um aumento médio de preços em janeiro de 2016 de 14,2% (acumulado 12meses).
Volume de vendas do comércio varejista segundo grupos de atividade

* Série com ajuste sazonal. Obs.: O comércio varejista é composto pelas atividades numeradas de 1 a 8. O comércio varejista ampliado é composto pelas atividades numeradas de 1 a 10. Fonte: IBGE. Adaptação: NE&PE/GS&MD – Gouvêa de Souza.
Filed in: Conjuntura e Comércio Varejista
Fonte: idv.org.br

