13/01/2010
Faturamento do varejo deve crescer 12% em 2010, diz CNDL
O comércio varejista deve fechar 2010 com faturamento 12% maior do que em 2009, segundo projeção da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Os números corroboram o cenário positivo da economia, e refletem, se confirmados, o melhor resultado do indicador desde 2004.
O forte resultado deve impulsionar os resultados do varejo em 2011. Segundo projeção da CNDL, as vendas do comércio devem crescer 6% este ano, na comparação com 2010. Esse otimismo, no entanto, não deve se repetir nos registros de inadimplência, que devem crescer este ano, após caírem 1,85% em 2010.
De acordo com o economista Fernando Sasso, do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), a inadimplência deve crescer 5% já nos primeiros quatro meses do ano, recuando posteriormente para números que podem variar entre 2,5% e 4%, no acumulado do ano. “Com certeza, a perspectiva de elevação dos juros pelo Banco Central e o impacto das medidas de restrição do crédito ao consumidor devem fazer com que a inadimplência aumente em 2011”, explicou Sasso.
2010
A inadimplência do consumidor registrou baixa de 4,49% em dezembro de 2010, ante expansão em novembro de 4,59% nos registros de inscrição de devedores junto ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Essa baixa ocorre depois de dois meses consecutivos de altas, e é explicada em parte pela injeção de recursos provenientes do pagamento da segunda parcela do 13º salário, o que fez com que inadimplentes quitassem seus débitos junto ao SPC Brasil.
Na comparação com dezembro de 2009, houve alta de 2,73% na inadimplência ao consumidor, em consequência do aumento da confiança em função do bom cenário econômico do País, o que transmitiu otimismo e permitiu que o consumidor gastasse mais este fim de ano.
No ano, a inadimplência apresentou baixa de 1,85%, em função do maior rendimento da população e a escalada da massa salarial, aliados aos 2,5 milhões de empregos formais gerados em 2010. Esses fatores também contribuíram para o maior volume de consumo, o que explica o grande número de consultas realizadas para compras a prazo e pagamentos em cheque nos mais de 800 mil pontos credenciados pelo SPC Brasil.
Em dezembro, as consultas no SPC Brasil cresceram 34,17% ante novembro, após alta de 2,87% entre novembro e outubro. O bom resultado, verificado em todo o ano, reflete a melhor oferta de crédito e o aumento do poder de compra do trabalhador, além de fatores conjunturais como a queda do dólar, que impulsionou as vendas de importados de vários segmentos, entre os quais produtos alimentício, calçados, roupas e perfumaria, além de eletroeletrônicos de maior valor agregado.
Ante dezembro de 2009, as consultas apresentaram alta de 10,56%, e, durante todo o ano de 2010, as consultas foram 8,25% maiores.
A combinação de maior oferta de crédito e disponibilidade imediata de recursos também explica o baixo valor das parcelas devidas em atraso, conforme números do SPC. Em dezembro, 75,17% das parcelas em débito tiveram valor inferior a R$ 250. Desse montante, 27,58% são de débitos de até R$ 50.
O baixo valor das parcelas em atraso facilita a quitação dos débitos, o que permite que mais consumidores cancelem seu registro de devedor junto ao SPC Brasil. Em dezembro, os cancelamentos cresceram 23,81%, ante elevação de 5,3% nos cancelamentos entre os meses de novembro e outubro. A comparação com dezembro de 2009 também mostra alta dos cancelamentos, de 3,54%, em função da melhora de diversos fundamentos econômicos do País.
Como de costume, as mulheres lideraram os cancelamentos junto ao SPC Brasil. Em dezembro, elas representaram 54,07% dos cancelamentos.

