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Fonte:Mônica Pupo

Com a popularização das redes sociais, é preciso marcar presença para gerar valor

Com a popularização das redes sociais, é preciso marcar presença para gerar valor e se relacionar com os consumidores

Em tempos de internet 2.0, os empreendedores podem ter pelo menos uma certeza: em algum lugar da web alguém está falando – bem ou mal – de sua empresa. Ferramentas não faltam: Orkut, Facebook, Blog, Twitter, YouTube, só para citar as redes sociais mais populares no País. Com a mesma lógica do marketing “boca a boca”, o princípio das redes é antigo – o que mudou foi o formato, a agilidade e a abrangência. Se os comentários e críticas virtuais são inevitáveis, é melhor estar por perto. Mas não basta apenas monitorar o que é dito. Segundo os especialistas, para utilizar as redes sociais a favor dos negócios é preciso interagir, conversar, responder às questões dos usuários e gerar novos valores para a companhia, o que requer uma estratégia específica para cada rede. Além disso, as mídias sociais também funcionam como uma extensão dos tradicionais SACs, só que através de um canal mais interativo e que exige maior transparência por parte das companhias.

A principal vantagem das redes sociais, sobretudo para pequenas e médias empresas, é o baixo custo de operação. Sem falar na abrangência, já que 86% dos internautas brasileiros acessam pelo menos uma rede social. Ainda que a companhia não fature diretamente com a web, o simples fato de monitorar o que está sendo falado já faz a diferença. “As redes sociais são um excelente mecanismo de feed­­back. Você começa a lucrar a partir do momento em que facilita a comunicação e se conecta aos clientes a um custo baixíssimo se comparado às outras mídias”, avalia Luiz Augusto Barros, diretor de operações da Media Factory, empresa especializada em soluções de marketing digital, responsável pelo posicionamento nas redes sociais de empresas como Crefisa, Cemig e Tryon, entre outras. “Quem entender e souber tirar vantagem dessas ferramentas vai se sobressair cada vez mais no mercado”, diz Barros. Marcar presença nas redes sociais ainda garante maior relevância nos mecanismos de busca eletrônica, como o Google, e ajuda a aumentar o tráfego no site da empresa.

Outra característica das mídias sociais é a capacidade de potencializar as ações de marketing viral, uma vez que os sites facilitam o reenvio instantâneo de informações entre os usuários. “Fazer uma peça viral é uma das mais eficazes ferramentas de marketing digital, além de ser barato”, aponta Barros. Segundo o executivo, vale investir sobretudo nos vídeos, os campeões de audiência entre os internautas, quando o assunto é conteúdo viral. “Se você coloca apenas um texto, duas ou três pessoas ‘retuítam’. Se postar uma imagem, multiplica esse número por dez e, se for um vídeo, multiplica por 100”, completa Barros, referindo-se ao Twitter, uma das redes sociais que mais cresce no Brasil – com 9 milhões de usuários – e “que não pode ficar de fora das estratégias de marketing digital”.

Uma das empresas que buscaram auxílio profissional para se posicionar nas redes sociais em busca de novos consumidores foi a Onodera, rede de clínicas de estética. As ações, comandadas pela Media Factory, incluíram a ativação de perfis em sites como Twitter e Facebook, monitoramento e busca de público-alvo nas redes sociais. A estratégia também incluiu a produção de conteúdo relevante e em sintonia com a área de atuação da empresa, como dicas de moda, beleza e comportamento. Em dois meses de trabalho, foram conquistados 650 seguidores no Twitter, 1,6 mil visitas ao blog e estima-se que mais de 5 mil pessoas foram impactadas.

Outra empresa que tem apostado nas redes sociais para alavancar os negócios é a Azul Linhas Aéreas. Com ações focadas principalmente no Facebook e Twitter, a companhia aérea oferece vantagens e promoções exclusivas aos seus seguidores – no caso do Twitter – ou fãs, no contexto do Facebook. As redes sociais também são utilizadas como ferramenta de relacionamento, acionadas para mediar conflitos e evitar a disseminação de reclamações e boatos.

É um dos fundadores da companhia aérea e atual diretor de marketing quem interage com os clientes no Facebook. Com um português ainda arrastado – coisa de quem chegou há pouco no Brasil – o norte-americano Mark Neeleman faz questão de responder pessoalmente a tudo o que é dito sobre a Azul na internet. “As redes sociais são hoje a mais poderosa ferramenta de marketing, pois as empresas podem falar diretamente com seus clientes sem gastar muito dinheiro, com a vantagem de que todos se sentem ouvidos”, afirma Neeleman.

Orkut versus Facebook

Divulgada no último mês de abril, pesquisa do Serasa Experian Hitwise avaliou o aumento do número de acessos dos internautas brasileiros a redes sociais, entre Facebook, Twitter e Orkut. Ainda que as duas primeiras apresentem alta significativa – Facebook com 804% e Twitter com 768% –, quem continua reinando absoluto é o Orkut, com média de 62,14% dos acessos únicos. Ao todo, estima-se que o Orkut possui mais de 25 milhões de usuários únicos no País, enquanto o Facebook tem algo em torno de 6 milhões.

Apesar da popularidade, o Orkut não é o site mais adequado para direcionar ações de marketing digital, pelo menos na opinião de Luiz Augusto Barros. “É preciso, sim, ficar atento ao que dizem sobre a empresa no Orkut, bem como responder a esses comentários, mas eu não perderia meu tempo e nem dinheiro elaborando estratégias focadas no Orkut.” Isso porque, segundo o executivo, o site não é indexável, ou seja, não permite a inclusão de conteúdo encontrado na internet no banco de dados das ferramentas de busca. Na prática, isso significa pouca – ou nenhuma – relevância nos mecanismos de busca. “O Orkut não deixa o usuário sair para um link externo, então fará pouca diferença no seu posicionamento. Além disso, provavelmente você vai perder muito mais tempo lidando com adolescentes mal-educados e não vai ter as outras vantagens que o Facebook, por exemplo, oferece”, afirma.

Considerada a rede social que mais cresce em todo o mundo, o Facebook é uma espécie de precursor do Twitter – no que se refere à agilidade na comunicação – e possui ao todo 400 milhões de usuários. A intenção é a mesma do Orkut e de todas as demais redes – conectar pessoas –, com a diferença que o Facebook permite a indexação de conteúdo, o que favorece as estratégias de SEO (Search Engine Optimization). Para as empresas, isso significa maior relevância nos mecanismos de busca, garantindo um bom posicionamento nas pesquisas. Outro diferencial do site são as ferramentas para divulgar eventos e campanhas.

Para entrar no Facebook, a dica – que também vale para o Orkut – é criar o perfil de um grupo com o nome da marca. “Não tem coisa mais absurda do que uma empresa querendo ser sua ‘amiga’. Você é fã dessa empresa, mas não ‘amigo’”, alerta Barros. A partir daí, é preciso gerar conteúdo relevante – sejam fotos, textos ou vídeos –, que estimule a participação e a interação com os clientes. “É preciso oferecer alguma vantagem nas redes sociais para estimular a participação dos clientes, sejam descontos, brindes ou acesso a informações em primeira mão”, aconselha.

Redes próprias

Além das redes sociais tradicionais – como Orkut, Twitter, Facebook –, cada vez mais as organizações investem em mídias sociais próprias, criadas sob medida para os interesses corporativos. Na opinião de Luiz Augusto Barros, a estratégia é válida desde que não exclua a presença nas demais redes “essenciais”, como YouTube, Blog e Twitter. “É preciso marcar presença em todos os campos, ocupando os espaços que você não quer que seu concorrente ocupe”, recomenda o executivo.

É o que busca fazer a Azul. Presente no Facebook, Twitter e Orkut – onde também mantém uma comunidade –, a companhia possui uma rede social própria, o site viajamos.com.br. Lançado no início do ano, o portal reúne atualmente 60 mil participantes, que têm acesso a descontos e promoções em primeira mão. Em um ambiente que lembra o das redes sociais como Orkut ou MySpace, os usuários são convidados a compartilhar as experiências vivenciadas nas viagens e destinos da companhia. É ali – e no Facebook – que são divulgadas promoções e eventos exclusivos, como a Gincana Azul. “Como uma empresa nova no mercado, temos limites de gastos com propaganda, por isso a importância das redes sociais em todas as nossas ações”, diz Neeleman.

Outras redes

Além de Blog, Facebook, Orkut, YouTube e Twitter, há diversas redes sociais que podem ser utilizadas pelas empresas. Veja qual se adapta mais ao seu negócio:

Formspring.me: permite que usuários cadastrados e anônimos façam perguntas diversas. Funciona como uma espécie de SAC. É importante ser ágil e transparente nas respostas.

LinkedIn: rede social profissional que adota uma abordagem mais sóbria e oferece aos membros mais controle e privacidade em seus perfis on-line. Pode ser utilizada na hora de buscar por novos colaboradores.

Flickr: através do site é possível criar um banco de imagens da empresa e dos produtos, útil tanto para clientes como imprensa e parceiros.

Google Maps: fundamental incluir a localização da empresa no site, que funciona como um localizador e possui aplicativo para celular.

Wikipedia: enciclopédia colaborativa, apresenta alto índice de pageviews. Por isso é interessante preencher o verbete referente à empresa, incluindo área de atuação e principais dados.

Ning: possibilita que qualquer pessoa crie uma rede social, gratuitamente. Ideal para criar uma rede social específica para a empresa, que pode tanto ser entre colaboradores ou aberta ao público.

Erros mais comuns

Ter uma identidade diferente da real
Uma coisa que acontece muito é a empresa criar uma identidade nas redes sociais diferente do que ela é. Há diversos casos assim, em que os usuários ficam chocados ou ela cria uma rede de relacionamento on-line que não gera resultados. O metrô do Rio, durante a crise de atrasos, sorteava ingressos para o show do Coldplay pelo Twitter. É preciso ter coerência.

Abandonar contas depois de promoções
Tudo deu certo, foram distribuídos prêmios e a campanha teve ótimos resultados com um nível alto de engajamento. Depois de terminada a campanha, no entanto, o perfil ficou abandonado. Os usuários começaram a fazer perguntas bobas, do tipo “por que não ganhei isso?”, mas não houve resposta e a empresa que todos estavam se engajando passou de heroína para vilã em poucos posts. Deixar propriedades oficiais abandonadas na internet é um perigo.

Ter uma conta e não responder aos usuários ou demorar muito
É preciso respeitar o timing de cada rede. O que é bastante comum é uma pergunta ser feita, ser levada para uma equipe, que leva para outra, que precisa de aprovação de fulano. Até a resposta sair, os usuários já estão jogando tomate. É preciso dar um feedback que varia de rede para rede. Esse feedback pode ser: “Recebemos sua pergunta e entraremos em contato em breve. Enquanto isso, visite nossa área de perguntas e respostas”. Isso resolveria.

Ter uma atitude passiva achando que a rede social é só para ouvir
Há um fenômeno entre os departamentos de marketing que é buscar informações apenas. Essa passividade deixa de lado tudo o que a empresa pode lucrar com a rede social, há um potencial gigante de negócios que é deixado de lado enquanto a empresa quer saber se o circo está pegando fogo. Se estiver, ela vai sair correndo? Se ela não começar imediatamente a se posicionar nas redes sociais, no caso de fogo, ela não estará preparada para se defender.

Criar perfis falsos para falar bem
Eu tive um problema com uma determinada empresa. Obviamente vou falar na rede social, então várias pessoas começam a falar que a empresa é ótima, vou ver e vejo que aquelas pessoas só falam isso. É muito ingênuo achar que os usuários vão cair nessa. Isso só gera o ódio e afasta possíveis consumidores. Esse erro, infelizmente, é mais comum do que deveria.

Não respeitar as regras sociais e protocolos de cada rede
Há um protocolo de boas maneiras em cada rede social. Que tal alguém falar em caixa-alta (maiúsculo) no Twitter? Isso é bastante desrespeitoso. Coisas simples como copiar uma mensagem sem deixar claro que é um “retuite” pode gerar a ira dos seguidores. Ou que tal chamar seus seguidores de internautas? É necessário que a empresa entenda o meio ambiente e que verifique se a estratégia dela em redes sociais pode ser usada naquele ecossistema em questão.

Fonte: Luiz Augusto Barros, diretor de operações da Media Factory

Contatos:

Azul Linhas Aéreas: www.voeazul.com.br
Media Factory: www.mediafactory.com.br
Serasa Experian Hitwise: br.hitwise.com
Onodera: www.onodera.com.br

Sistema CNDL

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