25/09/2013
Salário mínimo: o menor crescimento desde 1995
O principal indicador de mudança em nosso país, o salário mínimo, terá o menor aumento desde o início do Plano Real, saindo dos atuais R$ 678,00 para os R$ 722,90, o que indica claramente o fim de um ciclo baseado no aumento de renda, expansão de crédito e inclusão no mercado de consumo.
O salário mínimo que, em maio de 1995 era de R$ 100,00, chegou a 2014 quase sete vezes maior, tornando-se um dos principais fatores para o aumento forte no consumo das famílias brasileiras e elevando ao grau de “verdadeiros consumidores”, milhões de brasileiros. A cada início de ano, bilhões e bilhões de reais eram injetados na economia e carreados diretamente para o consumo, modelo este que não deverá ocorrer no início do próximo ano.
Por que? Para que o consumo interno aumente é necessário que, de alguma forma, dinheiro novo seja colocado à disposição das pessoas, ou por meio de aumento no número de pessoas com recursos disponíveis para compras, ou aumentando-se a disponibilidade de crédito e a capacidade dos consumidores tomarem este crédito. Além disso, essa injeção também pode ser feita pelo crescimento da renda de cada um de nós, e é daí que vem a importância no aumento do mínimo.
Dentro do setor privado o número de pessoas que recebem salário mínimo é bastante baixo, todavia é usado como um dos parâmetros nas convenções coletivas de trabalho e para o pagamento de benefícios sociais, além de ser referência no salário pago por muitas prefeituras Brasil afora; sem dúvida ainda é um dos principais números de nossa economia.
O mercado como um todo aguarda este número para prever o volume de vendas nos três primeiros meses de cada ano e é unânime que o mínimo deixará de influenciar positivamente da maneira como fez em anos anteriores, reforçando a ação de ajuste de estoques tanto em varejistas como na indústria.
* Roque Pellizzaro Junior
Presidente da CNDL

