02/09/2015
Oportunidades na crise
Não importa de que natureza, uma crise é sempre um momento a ser enfrentado com muito bom senso. Se a ignoramos, corremos o risco de ser engolidos por ela; se a supervalorizamos, o risco é o de não conseguirmos enxergar as oportunidades geradas nesses momentos. Como varejista e presidente de uma instituição, o Sistema CNDL, com cerca de 450 mil associados, acredito que, se visto com cautela, um momento de crise também pode oferecer boas oportunidades e até novos negócios, pois a crise estimula a Economia Criativa, termo que faz referência a negócios desenvolvidos a partir do conhecimento, da criatividade ou do capital intelectual. Essas atividades focam no potencial humano e na produção de bem tangíveis ou intangíveis, mas com valor econômico. A inovação, então, pode ser a melhor saída para o cenário atual.
John F. Kennedy, ex-presidente americano, disse: “Quando escrito em chinês, a palavra CRISE compõese de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade”. Essa interpretação deve guiar os brasileiros nesse momento de crise, principalmente os que exercem liderança nos variados setores da economia. Homens otimistas têm, tanto no setor público quanto na iniciativa privada, adotado medidas que minimizam os danos da conjuntura atual. Tais medidas têm o intuito de desburocratizar o processo produtivo nacional, conter o avanço do desemprego no País e auxiliar o empresário brasileiro a procurar alternativas para tirar proveito do delicado momento econômico.
Recentemente, a CNDL e o SPC Brasil apresentaram um indicador que analisava a expectativa dos micro e pequenos empreendedores em relação aos seus próprios negócios. Percebemos que esse indicador teve uma leve melhora se comparado ao mês anterior, ou seja, aos poucos a confiança na economia e na própria capacidade de sobreviver em tempos de crise retorna e comprova a postura de superação adotada pelos varejistas.
Se os governantes também olharem por essas janelas de oportunidades verão que muito podem fazer não somente para amenizar os efeitos da crise, mas, sobretudo, para liderar mudanças que façam o País caminhar na direção do futuro, como reduzir a idade para ingresso no mercado trabalho, flexibilizar o horário para o funcionamento do comércio – mantendo os direitos, o salário e a carga-horária do trabalhador-, regular os cartões no Brasil, destravar a burocracia – simplificando-a para estimular a produção -, aprovar o Simples e estimular o Ensino Técnico, medidas que exigem mais visão e decisão que investimento.
Meu falecido pai, do alto de sua simplicidade, costumava dizer: “Meu filho, a dificuldade é ruim, mas peleje”. Pelejar é não desistir, e essa persistência é a base de nossa resiliência. Peleje, amigo varejista, e mantenha os olhos abertos para que não enxergue somente o perigo em uma situação que pode estar repleta de oportunidades.
Honório Pinheiro
Presidente da CNDL
* Artigo publicado no Jornal O Povo – 02/09/2015

