24/11/2011
A inovação é um ato contínuo de pensar criativamente
Existe um número sem fim de definições e estudos sobre criatividade. Para Steve Jobs, o gênio autoconfiante cofundador da Apple, criatividade era resumida a: “ter uma chance de mudar o mundo”.
Como mostra sua biografia, foi com essa justificativa que ele conseguiu em 1983 convencer John Sculley, à época o diretor-presidente da PepsiCo, a se juntar a um time de garotos de calças jeans no Vale do Silício, na Califórnia, que desejavam mais de si mesmos além de “passar o resto da vida vendendo água com açúcar (refrigerantes pepsi)”.
Não foi uma ideia acertada, a vida insistiria em mostrar a Jobs depois. À frente da Apple, Sculley, que apesar da boa imagem de executivo competente, reduziu custos com funcionários e aumentou significativamente os preços dos computadores. E a Apple virou mais do mesmo, tentando seguir os passos de gigantes como IBM e Microsoft, e perdendo o protagonismo que sempre teve em função do DNA de inovação e criatividade.
Foi somente com a volta de Jobs ao comando da empresa, uma década depois, que a Apple enfim conseguiu recuperar as atenções de todos ao criar produtos sem paralelo no mercado, assumindo uma postura que seu fundador tomou emprestado de empreendedores como Henry Ford, responsável pela primeira linha de montagem de automóveis no mundo.
A expressão “pesquisa de mercado” estava completamente fora do planejamento da empresa, segundo a biografia, a ponto de Jobs dizer em uma entrevista à revista Fortune, em 2008, que era impossível sair perguntando às pessoas qual seria a próxima grande coisa que elas desejavam, e que se Ford tivesse questionado seus clientes sobre o que queriam a resposta provavelmente seria um “cavalo mais rápido”.
Essa confiança no seu potencial e principalmente nos seus ideais talvez tenha sido a maior virtude de Jobs, que preferia errar sozinho a acertar junto com o grupo. Como ele próprio disse durante o lançamento do Macintosh, em janeiro de 1984, a Apple gostava de apostar na própria visão. “Preferimos fazer isso a fabricar produtos iguais aos outros. Vamos deixar outras empresas fazerem isso. Para nós, o objetivo é sempre o próximo sonho.”
Os ensinamentos dele muitas vezes mostravam que é preciso ter coragem para apostar em algo que se acredita, ainda que muitas pessoas lhe digam que nada vai dar certo. Ainda sobre o lançamento do Macintosh, disse: “Achamos que zilhões de Macs serão vendidos. Mas não criamos o Mac para outras pessoas. Nós o construímos para nós mesmos. Éramos o grupo que julgaria se o Mac era grandioso ou não. Não faríamos nenhuma pesquisa de mercado. Só queríamos fazer o melhor que pudéssemos”.
Jobs não dava mesmo crédito a estudos de pesquisa e desenvolvimento, áreas enormemente demandadas pelas concorrentes de mercado. Sobre a Microsoft, ele disse certa vez que todo o investimento da empresa se resumia em tentar reproduzir as boas ideias de outras companhias. “Nossos amigos lá do Norte gastam US$ 5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento e tudo o que eles parecem fazer é copiar o Google e a Apple.”
Parte do sucesso de Jobs veio da capacidade de associar elementos já desenvolvidos em um novo formato. Suas ideias ainda podem alcançar gerações de consumidores que ainda nem nasceram. Mas se há algum ensinamento que o criador da Apple deixa para a posteridade é que a inovação é um ato contínuo de pensar criativamente. Esse é o espírito que nós, brasileiros, e principalmente nós empreendedores temos que ter sempre. O espírito de superação, de querer fazer mais e melhor sem causar danos ao meio ambiente, e o espírito de trabalhar para que o País se desenvolva e seja um lugar melhor para todos nós.
*Roque Pellizzaro Junior – Presidente da CNDL

